Com apoio dos números, Joel cogita manter equipe contra o Vasco

Treinador aponta estatísticas favoráveis para mostrar confiança em formação que pode iniciar clássico deste domingo

Durante os 80 minutos em que comandou o trabalho sem a presença dos jornalistas, na tarde desta quarta-feira, Joel Santana fez algumas observações para achar a melhor formação que enfrenta o Vasco, neste domingo. Mas além das análises de campo, o treinador aposta nas estatísticas para acreditar que não precisa modificar a equipe. A campanha de 100% de aproveitamento nas três partidas da Taça Rio e, principalmente, o fato de o Botafogo não ter sofrido gols nos dois últimos jogos dão ao treinador a confiança para manter o grupo.

Joel Santana prefere não confirmar se realmente seguirá com a mesma formação. No entanto, observa um equilíbrio na equipe capaz de lhe dar a segurança para continuar a apostar na equipe. Por isso, nem mesmo o capitão e invicto Marcelo Mattos está confirmado. O volante, que ficou um mês fora por causa de uma lesão no pé direito, treinou entre os reservas na última terça e nesta quarta foi mantido, pelo menos no período em que os jornalistas tiveram acesso ao treino no campo anexo do Engenhão.

– Agora existe um maior equilíbrio na equipe, e quando isso acontece, não tem o que mexer. Trabalho com números, e quando eles passam a não corresponder, mudo. Nosso time está mais constante, há duas partidas não sofre gols. A matemática mostra que as coisas vêm dando certo – observou.

O treinador alvinegro ainda usou os números para explicar se seria necessário modificar a equipe para combater a postura ofensiva do Vasco. Neste domingo, a equipe cruzmaltina deve entrar em campo com um meio-campo formado por Felipe, Bernardo e Diego Souza.

– Quem tem o melhor ataque do segundo turno? Botafogo e Vasco, não é? E quantos gols eles sofreram? – questionou.

Os adversários do clássico deste domingo marcaram nove gols cada na Taça Rio. No entanto, o Botafogo sofreu dois, enquanto o Vasco levou sete.

No treino desta quarta-feira, Antônio Carlos trabalhou apenas a parte física e, ainda sem se recuperar de uma pancada na panturrilha esquerda, dificilmente enfrentar o Vasco. Outro desfalque pode ser Araruama, que deixou a atividade com dores no ombro direito.

Com gol duvidoso e sofrimento, Bota se classifica nos pênaltis

Alvinegro derrota River Plate-SE por 1 a 0 no tempo normal e faz 4 a 1 nas penalidades. Joel é xingado pela torcida, mas é festejado pelos jogadores


Foi o momento ideal para quebrar um tabu. Depois de quatro anos, o Botafogo voltou a vencer uma disputa de pênaltis. A da noite desta quarta-feira, no Engenhão, evitou que a equipe passasse seu maior vexame na Copa do Brasil. Após bater o River Plate-SE por 1 a 0 no tempo normal, graças a um gol duvidoso – e contra -, o Alvinegro garantiu a suada classificação para a segunda fase da competição ao vencer nas penalidades por 4 a 1.

Após cinco derrotas seguidas em disputas de pênaltis, o Alvinegro conseguiu sair vitorioso, e os jogadores foram festejar com o técnico Joel Santana, chamado de “burro” pela torcida quando tirou Renato Cajá para a entrada de Alex no segundo tempo. Na próxima etapa da competição, o adversário do Alvinegro será o Paraná Clube. O primeiro jogo, ainda sem data definida, será em Curitiba. A classificação nesta quarta-feira veio depois de uma derrota por 1 a 0 em Aracaju, e o Alvinegro esteve seriamente ameaçado de amargar sua pior campanha na Copa do Brasil, já que nunca foi eliminado na primeira fase.


Alvinegro começa ansioso

Mal começou a partida, foi possível notar um Botafogo com uma atitude bem diferente da apatia demonstrada em Aracaju há uma semana. A escalação com Lucas na lateral direita e Everton no meio – titular no jogo de ida, Somália sequer ficou no banco – apontava uma formação mais ofensiva. A equipe entrou em campo com maior ímpeto e pressionando a saída de bola adversária. E contava com a torcida como aliada. Os alvinegros mostraram um nível de paciência fora do normal, incentivando a equipe, mesmo nos primeiros minutos, quando havia muitos erros de passe, causados pela afobação.

Com o passar dos minutos, o Botafogo conseguiu controlar essa ansiedade e transformá-la em domínio. O River Plate mal tocava na bola, e a equipe da casa buscava espaços para criar oportunidades de gol. No entanto, ainda insistia muito nas bolas pelo alto, fundamento anulado pelo adversário no jogo de ida.

Quando passou a colocar a bola mais no chão, o Botafogo se viu mais perto da baliza de Max, que abusava do atraso nas reposições de bola e irritava os jogadores alvinegros. E quando já mostrava certa desorganização para atacar – deixando espaços que quase foram aproveitados pelo River – a equipe de Joel Santana abriu o placar, num lance polêmico (veja no vídeo ao lado).

Aos 40 minutos, Renato Cajá cruzou pelo lado direito, e Max saiu para cortar de soco. A bola tocou no zagueiro Bebeto e foi em direção ao gol. O próprio zagueiro e o capitão Valdson conseguiram tirá-la quando ela passava por cima da linha. O árbitro Emerson de Almeida Ferreira ficou na dúvida e somente assinalou o gol quando seu auxiliar Guilherme Dias Camilo assinalou, correndo em direção ao meio do campo.

Joel é chamado de ‘burro’ na etapa final

Uma bola de Everton na trave logo a um minuto (no vídeo ao lado) foi o aviso do Botafogo sobre suas intenções no segundo tempo. A equipe manteve a postura ofensiva, mas ainda com muita dificuldade para concretizar as chances criadas. Quando Herrera perdeu mais um gol incrível, aos nove minutos, Joel Santana imediatamente chamou o atacante Alex, que entrou no lugar de Everton, machucado.

Mas a esperada ofensividade não foi notada. O Botafogo errava muitos passes e, principalmente, finalizações. Desorganizada, a equipe sofria com os contra-ataques do adversário e sua defesa muitas vezes batia cabeça. Além disso, a paciência da torcida diminuía a cada falha e até mesmo nas substituições. A troca de Renato Cajá pelo estreante Fabrício, por exemplo, rendeu coro de “burro” ao técnico Joel Santana. Apreensivos, os botafoguenses vaiavam jogadores como Márcio Azevedo e deixavam que a trilha sonora do Engenhão ficasse por conta da batucada da torcida do clube sergipano.

Assim, foi quase com silêncio que a arquibancada reagiu à defesa à queima-roupa de Max, aos 34 minutos, em cabeçada de Alex após cruzamento de Caio. E foi com disposição, mas sem qualquer objetividade, que o Botafogo insistiu no ataque até o árbitro apitar o fim do tempo regulamentar.

Assim, a decisão da vaga ficou para os pênaltis, e o Alvinegro finalmente pôde comemorar a vitória e a classificação. O Botafogo não desperdiçou uma cobrança sequer: marcaram Márcio Rosário, Herrera, Antônio Carlos e Lucas. No River Plate-SE, Bebeto Oliveira e Fábio Júnior isolaram a bola, e só Da Silva concluiu com precisão.

 

botafogo 1 (4) X 0 (1) RIVER PLATE-SE
Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Márcio Rosário e Márcio Azevedo (Alessandro); Rodrigo Mancha, Bruno, Everton (Alex) e Renato Cajá (Fabrício); Caio e Herrera. Max; Gláuber, Bebeto, Valdson e Pedrinho; Bruno Ramos (Lucas), Fernando Pilar, Wallace e Éder (Fábio Júnior); Bibi (Da Silva) e Bebeto Oliveira.
Técnico: Joel Santana Técnico: Ailton Silva
Gol: Bebeto (contra), aos 40 minutos do primeiro tempo.
Cartões amarelos: Márcio Rosário, Bruno, Antônio Carlos (Botafogo), Bebeto Oliveira, Bruno Ramos, Bebeto, Pedrinho, Da Silva (River Plate-SE).
Estádio: Engenhão, no Rio de Janeiro. Renda: R$ 74.900,00. Público: 3.137 pagantes (3.901 presentes). Data: 02/03/2010. Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira (MG). Auxiliares: Guilherme Dias Camilo (MG) e Helberth Costa Andrade (MG).